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Campinas inicia distribuição de insulina glargina no SUS

Por Guilherme Kalel

13/10/2026

Os Centros de Saúde e farmácias municipais de Campinas, SP, começaram a disponibilizar a insulina glargina, um análogo de ação prolongada destinado a pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa faz parte de um plano nacional de expansão e transição gradual promovido pelo Ministério da Saúde, que visa qualificar o cuidado e garantir um tratamento mais estável para pessoas convivendo com o diabetes.

Com a mudança, os pacientes elegíveis passam a ter acesso ao medicamento em tubetes/carpules, além de receberem uma caneta aplicadora reutilizável (com validade de até 3 anos) e as agulhas adequadas para o uso contínuo. A disponibilidade do insumo pode ser consultada previamente no sistema digital Remédios Campinas, mantido pela Prefeitura.

A transição para a insulina glargina não ocorre de forma automática para todos os usuários que dependem de insulina. Para obter a medicação pela rede municipal, é necessário passar por avaliação clínica e cumprir critérios específicos estipulados pelo protocolo do governo federal.
Crianças e adolescentes: Pacientes diagnosticados com Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1), com idade entre 2 e 17 anos.
Idosos: Pessoas com 70 anos ou mais diagnosticadas com Diabetes Mellitus Tipo 1 ou Tipo 2.
Pacientes adultos (18 a 69 anos): Seguem os critérios do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (Farmácia de Alto Custo), que exigem laudo médico comprovando o uso prévio de insulina NPH combinada à rápida, com histórico de hipoglicemia noturna ou dificuldade de controle glicêmico.

Atenção: É obrigatória a apresentação de prescrição médica válida emitida por profissional de saúde.

A substituição da insulina anterior pela glargina é planejada individualmente para evitar oscilações bruscas nos níveis de açúcar no sangue.

Caso o paciente utilizasse a insulina NPH uma vez ao dia, a conversão para a glargina é feita na proporção de 1:1 (mesma quantidade de unidades).
Se o esquema de NPH envolveu duas ou mais aplicações diárias, a dose total diária inicial de glargina costuma ser reduzida em cerca de 20%, prevenindo episódios de hipoglicemia.

A insulina glargina é administrada apenas uma vez ao dia, em horário fixo (pela manhã ou à noite).

Na primeira retirada, o paciente ou responsável assina um termo de orientação e recebe a caneta reutilizável. Nas retiradas posteriores, a rede distribui apenas os refis do medicamento e as agulhas.

O que é a Insulina Glargina?
A insulina glargina é um análogo sintético de insulina de ação prolongada. Sua estrutura molecular foi modificada em laboratório para que a absorção pelo tecido subcutâneo aconteça de forma lenta, contínua e previsível ao longo de cerca de 24 horas.

Qual a principal diferença para a Insulina NPH?
Tradicionalmente oferecida na rede pública, a insulina humana NPH tem ação intermediária e provoca picos de absorção no organismo. Esses picos exigem que o paciente faça mais de uma aplicação por dia e aumentam a probabilidade de hipoglicemia — episódios em que a taxa de açúcar cai excessivamente, especialmente durante o sono.

Por outro lado, a insulina glargina não apresenta picos expressivos, simulando com maior precisão a liberação basal de insulina que o pâncreas saudável realiza naturalmente. Essa estabilidade reduz drasticamente o risco de quedas glicêmicas noturnas, melhora a qualidade do sono e simplifica a rotina de tratamento do paciente.