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Mercado Diet ganha o Brasil, mas custo de produtos ainda é desafio a ser enfrentado por brasileiros

07/10/2026

Nas últimas décadas, as gôndolas dos supermercados brasileiros passaram por uma transformação silenciosa, porém profunda. O que antes ocupava pequenas prateleiras escondidas ou se restringia a seções de farmácias hoje preenche corredores inteiros dedicados ao bem-estar e à alimentação restritiva. O avanço dos produtos dietéticos no Brasil é reflexo de mudanças no estilo de vida, do aumento da conscientização sobre a saúde e da busca contínua por qualidade de vida.

Para compreender a magnitude dessa evolução, é fundamental resgatar a trajetória histórica da chegada dessas opções ao país e entender por que elas representam muito mais do que uma tendência de consumo.

Década de 1970 — O Início Tímido: Os primeiros produtos voltados para restrições alimentares começaram a circular de forma extremamente limitada no país. Comercializados quase exclusivamente em farmácias ou casas de produtos naturais especializadas, o apelo era estritamente medicinal. O sabor e a textura ficavam em segundo plano, e as poucas opções eram caras e pouco atrativas.

Anos 1980 e 1990 — A Chegada em Maior Intensidade: Foi a partir de meados da década de 1980 e, com maior força, ao longo dos anos 1990, que a indústria de alimentos identificou a oportunidade de expandir esse mercado. Com a entrada de grandes marcas e o aperfeiçoamento da Portaria nº 29 da Anvisa (que estabeleceu definições claras para produtos diet, light e para fins especiais em 1998), os produtos dietéticos ganharam espaço definitivo nas redes de varejo. Nessa época, a substituição do açúcar refinado por adoçantes de primeira geração tornou-se viável para a produção em grande escala.

Anos 2000 até o Presente — Inovação e Sofisticação: A partir dos anos 2000, o mercado deu um salto de qualidade técnica. Com o avanço da tecnologia de alimentos, o uso de adoçantes naturais (como e xilitol, eritritol e stevia) substituiu os adoçantes sintéticos mais amargos. A categoria deixou de ser vista como “sem graça” e passou a oferecer chocolates, biscoitos, geleias e sobremesas que mantêm o sabor próximo às versões tradicionais.

A consolidação desse mercado trouxe um impacto direto e profundo na vida das pessoas diagnosticadas com Diabetes Mellitus. O diabetes é uma condição metabólica caracterizada pelo excesso de glicose no sangue, cuja gestão exige um controle rigoroso na ingestão de carboidratos simples, principalmente o açúcar.

Para quem vive com a condição, o aumento na oferta de produtos diet (formulados com a isenção total de determinado nutriente, como o açúcar) significa muito mais do que conveniência: representa autonomia, inclusão social e segurança nutricional. No passado, uma comemoração em família ou uma refeição fora de casa podiam gerar grande ansiedade ou exclusão social devido à escassez de opções adequadas.

Hoje, a variedade de alternativas permite que o indivíduo mantenha o monitoramento glicêmico sem renunciar ao prazer alimentar ou se isolar socialmente. Além disso, ter opções pré-embaladas seguras facilita a rotina e reduz o risco de picos de hiperglicemia acidentais causados por ingredientes ocultos na alimentação diária.

Apesar dos avanços inegáveis na variedade, na qualidade sensorial e na segurança dos produtos dietéticos, a democratização dessas alternativas ainda está longe de ser uma realidade no Brasil. Há um gargalo social relevante: o preço praticado nos supermercados e em lojas especializadas.

Em média, produtos com a especificação diet ou sem adição de açúcares chegam a custar entre 30% e 100% a mais do que suas versões tradicionais. Esse sobrepreço é impulsionado por diversos fatores, tais como:
Ingredientes de Alto Custo: Edulcorantes naturais de última geração e matérias-primas de alta pureza possuem valores de produção mais elevados do que o açúcar de cana convencional.
Escala de Produção: Embora o setor tenha crescido, o volume de produção da linha tradicional ainda supera amplamente o da linha especial.
Encargos Tributários e Logística: A carga tributária sobre itens dietéticos e o posicionamento de marketing focado na saudabilidade elevam as margens de lucro ao longo da cadeia de distribuição.

Diante desse cenário socioeconômico, cria-se um paradoxo doloroso no país: enquanto as faixas de maior renda encontram um mercado repleto de inovações e opções saudáveis, grande parte da população de média e baixa renda com diagnóstico de diabetes precisa recorrer a substituições manuais ou enfrentar dificuldades financeiras para manter uma dieta restritiva recomendada.

A expansão dos alimentos diet é um marco positivo na indústria alimentícia e na saúde pública brasileira, mas para que seu benefício seja pleno, o país ainda precisa superar o desafio da acessibilidade financeira, garantindo que o cuidado com a saúde não seja um privilégio, mas um direito ao alcance de todos.