Por Guilherme Kalel
09/10/2026
A Conitec, responsável por orientar novas tecnologias de recursos e medicamentos no SUS, abriu em 28 de julho de 2026, a consulta pública 0063, que visava saber a opinião popular sobre o uso de sensores de monitoramento de glicose no sistema de saúde pública do país.
Esses sensores são acoplados na pele e fazem o monitoramento em tempo real da glicemia em diabéticos, assim é possível ter melhor condição de tratar a patologia, eventuais picos e quedas nos níveis de açúcar no sangue.
O tratamento contudo é de alto custo, em média R$ 600,00 mensais por paciente, já que cada sensor precisa ser trocado a cada 15 dias, e cada um custa entorno de R$ 300 ou mais.
O SUS ja fornece políticas públicas que oferecem tiras reagentes e aparelhos de monitorização da glicemia para diabéticos, de uma forma bem mais barata.
São os tradicionais exames de ponta de dedo, que obriga o diabético a furar os dedos diversas vezes ao dia para fazer a aferição.
Em 2024, a Conitec negou implementar sistema de sensores na rede pública, porém em dezembro de 2025, surgiu um novo pedido.
Os pedidos vieram a partir da criação de leis municipais em algumas cidades brasileiras, que distribuiram esses sensores para crianças com Diabetes tipo 1.
A alegação é que os sensores auxiliam melhor o tratamento e permite um controle mais preciso do Diabetes, até porque, eles sonorizam ao detectar picos glicêmicos ou hipoglicemia nos pacientes.
Pessoas com deficiência visual, que não tem quem possa ajudar com a aferição de dedo, também poderiam se beneficiar, se o sensor fosse distribuido no SUS. Já que não foram inclusos, em nem uma das leis municipais criadas.
Em julho desse ano, a Conitec então abriu nova consulta pública que se encerrou em 17 de agosto, para saber sobre o tema.
Mas a consulta não teve a publicidade e os esclarecimentos que deveria. De um total de 21 milhões de diabéticos no Brasil, apenas 20 mil pessoas responderam a consulta.
Apesar desse número o que chama a atenção é o trato da Conitec com o tema.
Quase 2 meses depois de ter se encerrado o prazo da consulta, não há uma resposta sobre o assunto.
A Conitec não publicou o resultado da consulta pública, nem sua recomendação nova ao Ministério da Saúde.
Fontes consultadas pelo Informediabetes, reforçam que a recomendação de novo, seria pelo sentido de negar a implementação dos sensores no SUS, o que tira das pessoas com Diabetes o direito de um tratamento melhor.
Contudo, essa confirmação ainda não aconteceu de forma oficial.
Nem a Conitec nem o Ministério da Saúde, se posicionaram sobre o tema, até a publicação desta reportagem.
